Hoje faremos uma reflexão sobre o paradigma da MÍNIMA INTERVENÇÃO (MI). Engana-se quem pensa que a MI se aplique apenas à cariologia ou à dentística.
É crescente a mudança de paradigma não apenas na área odontológica, mas também na área médica, onde atitudes hiper-intervencionistas levam ao sobre-diagnóstico e ao sobre-tratamento, tendo como consequências a medicalização, no seu sentido negativo, e a insustentabilidade dos sistemas de saúde. Fazer mais, nem sempre significa fazer melhor!
Na dentística, a introdução do condicionamento ácido permitiu aos clínicos deixar de fazer preparos cavitários de acordo com as necessidades dos materiais, o que se traduziu na preservação de tecido dentário. Um segundo fundamento que suporta a MI é o entendimento de que as bactérias podem ser seladas e parte do tecido cariado ser deixado na cavidade (remoção seletiva/parcial de cárie) desde que uma boa adesão seja estabelecida nas margens da restauração. Como consequências teremos menor risco de exposição pulpar e preservação de tecido dentário. A periodontia e a cirurgia seguem no mesmo caminho ao realizar procedimentos cada dia menos invasivos.
Os avanços científicos e tecnológicos nos permite esta mudança de paradigma com vistas à preservação de tecido dentário, periodonto e osso.
Nosso grande desafio é traduzir a ciência, ideias e conceitos de MI para a prática clínica!
Recomendo a leitura abaixo:
-Attena F. Too much medicine? Scientific and ethical issues from a comparison between two conflicting paradigms. BMC Public Health. 2019 Jan 22;19(1):97. doi: 10.1186/s12889-019-6442-9. PMID: 30669992; PMCID: PMC6341674.
-Innes NPT, Chu CH, Fontana M, Lo ECM, Thomson WM, Uribe S, Heiland M, Jepsen S, Schwendicke F. A Century of Change towards Prevention and Minimal Intervention in Cariology. J Dent Res. 2019 Jun;98(6):611-617. doi: 10.1177/0022034519837252. PMID: 31107140.
autor: Ana Lidia Ciamponi
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