Muito se fala sobre a toxicidade do flúor e dos riscos em se utilizar esta substância. Grupos anti-flúor “demonizam” o flúor e muitas crianças acabam por não se beneficiar do método para a prevenção de cáries. Como qualquer composto/medicamento há uma dose ideal para obtenção dos melhores benefícios, sem o risco de exposição exagerada pelo organismo.
Como podemos mostrar para os pais que o que se fala sobre o flúor é uma verdade relativa? e que tudo depende do contexto em que se aplica?
Fato: o flúor quando administrado em doses EXTREMAMENTE ELEVADAS tem o potencial de gerar alterações em nível molecular e celular.
Fato: nós dentistas estamos longe de recomendar tais doses!
e só poderemos orientar bem os responsáveis se tivermos subsídios para saber o que há de verdade nisso e refutar possíveis alegações!
Sugiro a leitura resumida deste artigo, ou o resumo abaixo.
Wei W, Pang S, Sun D. The pathogenesis of endemic fluorosis: Research progress in the last 5 years. J Cell Mol Med. 2019 Apr;23(4):2333-2342. doi: 10.1111/jcmm.14185.
Patogênese da fluorose em tecidos ósseos/dentários e tecidos não esqueléticos
PATOGÊNESE EM TECIDOS ÓSSEOS E DENTÁRIOS
Os resultados de estudos sobre a patogênese da fluorose dentária mostram que o flúor em altas doses pode provocar distúrbios na síntese proteica dos ameloblastos, por afetar a função do retículo endoplasmático . O estresse oxidativo nos ameloblastos também é outro fator relacionado com a fluorose dentária, já que tal estresse provoca danos nas mitocôndrias e DNA. Também se sabe que a fluorose dentária está relacionada com o polimorfismo genético. Isto significa que para uma mesma dose de flúor, cada organismo responde de maneira diversa.
A fluorose óssea inclui a osteoesclerose, a osteomalacia, osteoporose e a ossificação peri-óssea de tecidos moles e alterações degenerativas nas cartilagens e articulações. A progressão da fluorose óssea e as bases das lesões osteogênicas têm como características a osteogênese ativa e o turnover celular acelerado. As lesões ósseas causadas por fluorose são diversas e afetam uma variedade de células durante o turnover celular. A ativação exagerada dos osteoblastos em estágios precoces têm papel crítico no processo. Uma das alterações patológicas da fluorose esquelética é o desenvolvimento da osteoporose e osteopetrose, decorrentes de uma intensa ação e absorção de osteoclastos. O flúor em excesso também interfere na estrutura e arranjo do colágeno ósseo e cartilaginoso e, assim como na fluorose dentária, a genética individual tem papel importante em sua patogênese.
PATOGÊNESE EM TECIDOS NÃO ESQUELÉTICOS
Um efeito frequentemente observado, quando da fluorose, é a presença de alterações degenerativas no parênquima celular sem respostas inflamatórias significantes. Quando ocorre o uso de doses extremamente elevadas de flúor há inclusive a possibilidade de ocorrer apoptose celular.
Também se observa que a exposição a altas concentrações de flúor na água estão associadas à redução nos níveis de inteligência das crianças, bem como poder funcionar como um fator de risco para a disfunção cognitiva nos idosos. Quanto aos efeitos no sistema cardiovascular, há certa conexão com a incidência de hipertensão e aterosclerose carótida, talvez associada a possíveis danos causados nas paredes vasculares e injúria miocárdica. O excesso de flúor em fígado e rim levam à alterações em suas funções. O flúor tem ação hepatotóxica , induzindo a alterações morfológicas e aumento da apoptose dos hepatócitos. Nos rins, o excesso de flúor está associado à danos nas estruturas do epitélio tubular, células endoteliais e células dos glomérulos. Quanto à ação no sistema reprodutivo, o excesso de flúor tem efeito sobre a formação de esperma, resultando na redução da capacidade reprodutiva masculina. O excesso de flúor também tem efeito sobre a histologia do tecido uterino, morfologia dos ovários e maturação dos oócitos.
Apesar da etiologia da fluorose endêmica ser conhecida, sua patogenicidade é inconclusiva e muitos estudos ainda devem ser realizados para elucidar melhor a situação. UM DAS FRAGILIDADES OBSERVADAS NAS PESQUISAS É QUE AS DOSES UTILIZADAS NOS EXPERIMENTOS EM ANIMAIS E CÉLULAS SÃO EXTREMAMENTE ALTAS. NOVAS PESQUISAS DEVEM SER DIRECIONADAS PARA AVALIAR SE ESTES DANOS PODEM OCORRER EM HUMANOS.
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